Finalmente ele chegou. O que vai trazer não sei, ninguém sabe, mas todos esperam que seja algo bom. Eu pessoalmente não espero nada. Já há muito que deixei de ter expectativas em relação a muitas áreas da minha vida. Não vale a pena sofrer por antecipação, criar grandes fantasias de sonhos que não passam disso mesmo. Pior ainda quando algo depende mais dos outros do que nós próprios, até porque, como costumo dizer, sou responsável pelo que digo e pelo que faço, não pela forma como sou interpretada ou como reagem a mim. Por isso sim, sinto que não vale a pena fazer planos, esperar algo de novo, algo mágico.
Quanto à passagem de ano, simplesmente odeio. Parece-me uma falsa desculpa para festejar um acontecimento que se repete todos os anos. Uma falsa felicidade. Primeiramente, é normal que uma rapariga que é introvertida e odeia multidões, não goste das confusões de fim de ano. Mas o que realmente me incomoda nem é isso, mas sim a gritaria, o histerismo, a felicidade do brinde, os desejos desesperados para o ano todo enfiados goela a baixo numa esperança ridícula de que aquelas passas façam milagres. Alguém que me explique, porque sinceramente é um dia que eu dispenso. O único bonito é mesmo o fogo de artificio que até faz chorar de tão perfeito que é... ao contrário do ano que acabou de passar, mais um a somar, sem nada de novo a acontecer, com rotinas iguais a todos os outros dias: trabalhar para pagar contas, folgar para tratar da casa e assim vamos (sobre)vivendo aos dias do ano.
O que eu gosto mesmo é das limpezas. Varrer de casa todas as energias do ano que está a acabar. Atirar com tudo o que já não interessa. Apagar da vida pessoas que não acrescentam, não agregam valor nem potencializam o nosso crescimento e evolução. Deitas fora o velho para dar lugar ao novo. Para isso também incluo um banho alongado, onde além do corpo se lava a alma. Porque o importante aqui não é o ano, não são os outros, sou eu.
Quanto ao resto é deixar andar, deixar o ano correr até voltarmos a estas datas. O que ele traz não sei, ninguém sabe. Ao menos que me traga tempo, que ultimamente parece que me falta, para poder dedicar ao que realmente quero, ao que realmente gosto e que tenha tempo para mim. Estou cansada de pessoas, farta de ter de lidar com seres humanos. A vida cansa, principalmente quando tudo é igual e já não esperas nada de ninguém porque sabes que ninguém, jamais, iria fazer por ti tudo o que estarias disposta a fazer por alguém. Quero o meu refugio, a minha caverna e esquecer o mundo lá fora. Tudo seria tão mais fácil e bonito sem pessoas. até porque ninguém me tira este vazio de sentir que não ando aqui a fazer nada. A vida tem me passado ao lado e tudo só acontece aos outros. Se faço por acontecer? O básico. Se tento mudar? O básico. Pra quê dar mais? Pra quê ser mais?
Acabemos com o discurso depressivo. Mas também não esperem que fique empolgada e extasiada por um novo ano começar, até porque as férias estão a acabar e tudo voltará ao seu ritmo de sempre. Se houver novidades eu conto, se não houver apenas desabafo. Não me julguem porque não sabem a minha história, não me condenem porque não sabem como realmente me sinto, mas ainda assim obrigada por estares ai.
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